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Terça-feira, Janeiro 29, 2008

Promessas

Além daquelas promessas básicas e quase utópicas para o ano que se inicia como ler mais, sair mais, emagrecer e trocar de emprego, deixarei registrado aqui (mesmo que eu não tenha feito o balanço do ano passado por aqui e tão pouco pretenda fazê-lo) uma pequena frase para que eu a leia sempre que eu estiver prestes a fazer a mesma merda:
Não, não farei santo algum engolir meus sapos. Eu arcarei com meus sentimentos, meus problemas e minhas angústias.
Pronto, todos os dias em que eu não cumprir esse registro, podem me crucificar através dos comentários deste post. Não quero ser vítima, não quero culpá-los. Se eu tiver que chorar, bater, ou deixar doer, farei sozinha, obrigada.

Domingo, Dezembro 30, 2007

Será que tudo é perfeito?


Não. Às vezes parece errado afirmar isso assim, mas é mesmo... Não existe perfeição entre nós.

Se existisse, ele além de ter um cavalo branco pastando na fazenda (risos), conseguiria reunir as palavras certas para me mimar quando eu me transtorno com a vida e com as pessoas. Ao contrário disso, ele quase sempre diz aquelas palavras tortas que eu detesto, me deixando pior ou fica mudo ao telefone com medo que eu implique até mesmo com a sua respiração. Em contrapartida, eu o cobro sobre coisas bestas de vez em quando (mesmo sem querer) e faço pirracinha de filha única, mimada e enjoada algumas vezes ao mês.

Se eu fosse perfeita eu seria uma mulher gostosa como aquelas nos comerciais, saberia tudo sobre video-games e seria a favor do amor livre. Se ele fosse perfeito, eu nunca o teria beijado, jamais teria dado risada no durante e no depois e não teria porque eu tentar explicar a ele a diferença entre um punk e um grunge. Se o amor fosse perfeito, não existiriam as novelas mexicanas e os contos de fadas. O José de Alencar não teria escrito "Senhora" e tudo sobre as relações se tornaria tão repetitivo que ninguém teria porque falar sobre.

Acredito que a delícia está justamente nas imperfeições. Se não fosse assim, eu não iria idolatrar o sarcasmo de Woody Allen, nem invejar o charme de Sarah Jessica Parker (a nariguda de Sex And The City), e muito menos preferir assistir a um filme com o Gael ou ouvir o sotaque de Alan Rickman (o Severo Snape de Harry Potter) a aguentar Brat Pitt com Angelina Jolie como destaques em um programa de fofocas.

Segunda-feira, Novembro 26, 2007

Um carrinho amarelo de polícia

Ele sempre passou muitas horas fora de casa, trabalhando. Ele, um dia, quando eu ainda era uma menina muito pequena, chegou em casa com um carrinho amarelo de polícia, que tocava uma pequena sirene, e junto dele um saco enorme de polvilho doce. Eu, que desde sempre gostava mais das brincadeiras de meninos, amei o tal carro. Brinquei muito com ele, até largá-lo em um armário, quando a adolescência tinha chegado e o meu interesse pelos meninos era outro, muito além das brincadeiras.
Logo, ele que já me era distante, ficou mais ainda. Ele transformou-se naquele vilão, que à tudo dizia "NÃO". Ele gritou e eu chorei. Não que eu tivesse motivos de fato, pois ele ameaçou mas nunca se aproximou de mim. O que me deixava triste era o fato de eu ver aqueles seres heróis nos filmes, que iam correndo até o aeroporto para resgatar o filho que a "mãe má" levava para longe. O herói dizia: "Eu te amo, filho. Não fique longe de mim nunca mais, ok?" e o filho todo feliz, pulava em seu pescoço, seguro.
Hoje, o irônico foi que meus pensamentos e suposições se concretizaram. Ele disse: "Não preciso de você." e foi como se toda uma certeza sobre ser inútil e egoísta a vida inteira tivesse desabado sobre mim. Além da minha inutilidade como filha, ele pareceu-me "inútil" ao seu próprio ver. Com palavrões e esbravejos, ele repetia aquela frase, culpando-se também.
Nunca, mas nunca vou entendê-lo e talvez, no fundo, eu nem queira. Ele vai ser aquele ser ao qual deverei ser grata mas que nunca vai me dar um abraço gostoso e dizer que me ama, como qualquer clichê cinematográfico e como eu sempre quis ouvir.
Vou levar daquele jeito, como os filmes atuais tentam contar: fingir que a dor provém de um tapa na cara ou de um arranhão. Mas quem vive assim, fingindo, escondendo e imaginando, sabe que a dor pode surgir, criar raízes e nunca mais sumir com apenas um olhar.

Segunda-feira, Novembro 12, 2007

Era mais um dia... Que sobrava no passado.

Certas coisas são necessárias de serem vividas. Os 3 segundos. Depois, garanto, você acaba entendendo o processo. Não que doa menos logo após, pois a intensidade não muda nunca. Mas você acaba entendendo que desde sempre doeu porque era preciso.
Tudo vai continuar caminhando do mesmo jeito e latejando constantemente. As manhãs ainda entristecem, o calor ainda irrita, o dinheiro ainda é tudo e ter ódio (diesel) ainda é indispensável. Só acredito mais agora na total urgência para se fazer valer a pena e dou graças por, depois de tudo, ainda fazer parte daquele sorriso.

Terça-feira, Setembro 11, 2007

Aquele dia

De repente me bateu aquela nostalgia... O dia em que o vi pela primeira vez, estava tensa e verdadeiramente tímida, muito embora não parecesse. Cheguei cedo demais ao local marcado para o seu primeiro show e, tão iniciante quanto ele, fui ao encontro de sua banda para fazer o meu primeiro ensaio fotográfico quase profissa.

Lembro como se fosse neste instante: eu esperando a porta se abrir, Camila ao meu lado esperando igualmente e ele e o baterista próximo a mim, conversando. Mesmo tendo o reconhecido logo de cara, por causa das várias fotos bem produzidas em seu Orkut e Fotolog, evitava olhar para o lado, não querendo manter o menor contato visual que fosse para não corar.
Ele era um pouco diferente das fotos: mais baixo do que eu acreditava ser sua altura, mais magro, mais amável. Cabelos encaracolados e barba muito pretos, uma voz suave porém grave.

A porta se abriu e ao entrar, continuei não cruzando olhares com ele, mesmo minutos atrás ele já ter se dirigido a mim com um leve "Olá" e um beijo no rosto. Sentei, acomodei a câmera emprestada em cima de uma bancada e fiquei observando o resto da banda arrumar as coisas sobre o palco, passar o som e etc.

Tive medo naquele momento pois aquele ambiente era demais carregado para mim. Coisas intensas no passado se passaram por entre aquelas paredes. Elas poderiam se vingar.

Quando o show chegou ao fim, as fotos estavam devidamente tiradas e eu querendo desesperadamente ir embora dalí. Ele me encontrou no meio da confusão, de pessoas, de sentimentos, de cigarros e cervejas e tentou puxar uma conversa descompromissada, sem apelo intelectual. Tentou prender a minha atenção revivendo papos que tivemos dias antes no Msn sobre teatro, fotografia, música... Mal o ouvia, a barulheira era intensa como em qualquer balada. Logo, alguém entrou no meio de nós e a sua atenção foi desviada. Aproveitei, me despedi e fui embora com Camila.

Se aquelas paredes falassem, descreveriam a expressão carregada em meu rosto ao deixar aquele lugar naquele dia. No entanto, o temor passou como se nunca tivesse se instalado e hoje, ouço aquela voz suave, porém grave, quase todos os dias ao telefone - mesmo ele odiando por completo o inofensivo aparelho.